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Release Triz - Alexl
O rock tem várias caras e uma delas é o progressivo.
Nascido lá pelo final dos anos 60, ele foi a tentativa de
levar adiante as revoluções sônicas que Jimi
Hendrix estava fazendo dentro do rock e Miles Davis no jazz. A idéia
era pegar aqueles instrumentos elétricos, juntá-los
com outros acústicos das mais diferentes procedências,
e criar um novo tipo de música que incorporasse as tradições
eruditas e folclóricas e as mais modernas investigações
eletro-eletrônicas. Liberdade - até para romper o formato
de canção de três minutos -, elaboração
e aventura foram as palavras de ordem dessa turma que criou uma
escola bastante influente, cujos ecos se fizeram sentir no Brasil
nos trabalhos do Clube da Esquina e de Egberto Gismonti, e em bandas
como o Terço, Mutantes, Terreno Baldio, Casa das Máquinas,
Bacamarte e Sagrado Coração da Terra. Um dos mais
aplicados alunos dessa escola, Alexandre Loureiro, o Alexl, chega
agora ao ponto de poder exigir sua inclusão nesse panteão
que, no exterior tem como representantes máximos os britânicos
Yes, Genesis, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e Gentle
Giant. Triz é o primeiro disco solo desse multinstrumentista
que atuou nas bandas cariocas Turangalîla e Raika, fez trilhas
para teatro, vídeo, cinema, dança, além de
ser bacharel em composição pela UFRJ. E solo, diga-se
de passagem, não é força de expressão:
boa parte das vozes, guitarras, baixos, violões, pianos,
teclados, percussões e programações de bateria
são do próprio Alexl, que assim, usando o estúdio
como laboratório, não encontrou limites para expressar
suas ambiciosas idéias musicais.
Lançado pelo selo especializado em progressivo Rock Symphony,
Triz é, literalmente, uma viagem. Começa com as explorações
pianísticas de "Todo o Tempo do Mundo" e segue
pelo folk polirrítmico "Trancado por Dentro", em
que ficam evidentes as influências do progressivo inglês,
mas sem qualquer cheiro de mofo. Em seguida, a delicadeza de "Limites"
evocará algumas das melhores criações de Lô
Borges e Milton Nascimento, mas com um brilho próprio revelado
na beleza de sua melodia. Já o peso e a sinuosidade de "Por
enquanto..." remetem a King Crimson e Frank Zappa - mais uma
vez, sem nenhum demérito para Alexl, dono de idéias
bastante originais. E Triz ainda não chegou nem à
metade. Das faixas mais engenhosas do disco, "Círculos"
apresenta um entrelaçamento barroco de vocais que, inesperadamente,
é absurdamente pop. "vozes...vozes..." dá
sequência à idéia da faixa anterior, dessa vez
com a participação do coral Vocifera - e tem-se aí
mais uma faixa de grande musicalidade , à espera de alguma
rádio que queira fugir do banal. No momento seguinte, lá
está Alexl brincando de Frank Zappa, com os guitarristas
Henrique Costa Lima e Rômulo Mattos, em "Porém...
quanto?". Há uma surpresa em cada esquina de Triz.
Para a faixa "Nós", o músico preparou
uma festa de vozes, dançando sobre o rico instrumental. Em
"Relatividade", a estrela é o solo de órgão
Lowrey, reminiscente dos anos dourados do progressivo. E em "Passatempo",
Alexl atingiu o melhor ponto de concisão, concentrando enorme
beleza folk em três minutos de canção - mais
uma que as rádios estão marcando em não tocar
já. Quase no fim da viagem, tem "A Prece", a faixa
de sentido religioso do disco, com participação do
Vocifera e de um naipe de violinos, celli e oboés - o progressivo
em sua essência, de tirar o fôlego. Triz encerra com
um aviso da Rádio Relógio: uma hora, zero minuto,
zero segundo. Pi, pi, pi. É hora de acordar da exata uma
hora de viagem pelo mundo de Alexl em Triz, disco que recebeu ótimas
críticas no exterior, onde a música progressiva é
de fato levada a sério, independentemente dos modismos.
"Triz diz adeus a todos os clichês a que muito freqüentemente
temos de ouvir (...) Não há sinal de soluções
convencionais em lugar algum. O uso de instrumentos acústicos
dá à música um grande senso de leveza mesmo
quando a banda vai para direções mais pesadas. É
música feita tanto pelo cérebro quanto pelo coração",
aponta o site www.proggnosis.com. "As canções
e peças instrumentais são freqüentemente densas,
intensas, complexas e sutis, com este tão especial toque
local cheio de energia e sol. Eis, portanto um excelente álbum,
repleto de uma identidade forte e um entusiasmo comunicativo",completou
o CD and LP.COM. Então? É mais do que hora de ouvir
Triz.
Silvio Essinger
O CD TRIZ DE ALEX, pode ser adquirido pelo site www.alexl.info,
pelo endereço alexl@alexl.info ou pelo telefone (21) 8111-9882
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